Foi marcado para 7 de abril o dia nacional de protesto em defesa dos médicos que trabalham na saúde suplementar.
Desde então, as três entidades médicas nacionais, AMB, CFM e Fenam, têm divulgado esclarecimentos e orientações sobre o movimento:
CARTA ABERTA À POPULAÇÃO
Médicos vão interromper o atendimento aos planos de saúde no dia 7 de abril
Prezado cidadão, prezada cidadã
Os médicos de todo o País irão suspender o atendimento aos planos e seguros de saúde no próximo 7 de abril, Dia Mundial da Saúde.
Nesse dia, os médicos não realizarão consultas e outros procedimentos. Os pacientes previamente agendados serão atendidos em nova data. Todos os casos de urgência e emergência receberão a devida assistência.
A paralisação é referendada pela Associação Médica Brasileira (AMB), Conselho Federal de Medicina (CFM),Federação Nacional dos Médicos (Fenam) e pelo conjunto das sociedades de especialidades médicas.
Trata-se de um ato em defesa da saúde suplementar, da prática segura e eficaz da medicina e, especialmente, por mais qualidade na assistência prestada aos cidadãos.
O objetivo é protestar contra a forma desrespeitosa com que os médicos e os pacientes são tratados pelas empresas que atuam no setor.
Os planos de saúde interferem diretamente no trabalho do médico: criam obstáculos para a solicitação de exames, internações, fazem pressão para a redução de procedimentos, a antecipação de altas e a transferência de pacientes.
Nos últimos dez anos, os reajustes dos honorários médicos foram irrisórios, enquanto os planos aumentaram suas mensalidades bem acima da inflação.
Alertamos a sociedade que tal situação é hoje insustentável, com riscos de sérios prejuízos à saúde e à vida daqueles que decidiram adquirir um plano de saúde, na busca de uma assistência médica de qualidade.
As empresas de planos de saúde precisam urgentemente atender a reivindicação das nossas entidades,estabelecendo regras contratuais claras que respeitem a autonomia do médico e definam critérios e periodicidade de reajustes dos honorários profissionais.
É necessário também que a ANS exerça seu papel fiscalizador, exigindo dos planos de saúde o cumprimento da regulamentação.
Brasília, 28 de fevereiro de 2011.
Associação Médica Brasileira
Conselho Federal de Medicina
Federação Nacional dos Médicos
Nosso Blog apóia o movimento dos médicos nessa luta, pois todos nós somos trabalhadores e não patrão. Mas lembra que a Sociedade não pode ficar indefesa diante de uma situação para o qual não contribuiu. Ao contrário. Os associados dos Planos de Saúde são duplamente onerados, pois, além do desconto compulsório em seus salários na rubrica relativa a custear as aposentadorias e auxílios correlatos, que embute um componente financeiro que deveria ser destinado a custear o atendimento médico via rede pública de saúde. O que nem de longe acontece de forma o mínimo digna, forçou a que parte da população – a que pode, mas que se sacrifica para pagar- a procurar alternativas, e com isso os planos suplememtares de saúde surgiram e prosperaram como um bom negócio, com seus preços cada vez mais elevados ao cidadão e seus serviços cada vez de pior qualidade. Portanto, a Sociedade, duplamente onerada, mesmo entendendo como mais do que justa a causa dos médicos, não pode ser penalizada caso haja um impasse e o movimento dos médicos venha a se estender por tempo mais longo.