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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Veja a Série Histórica dos Valores do Salário Mínimo Nominal e Necessário Segundo o Dieese

Daqui há poucas horas, mas já em debate pelos Senadores,  o Senado decide, com toda a certeza, como foi na Câmara dos Deputados, pela aprovação da proposta do Governo de R$ 545,00 para o Salário Mínimo 2011. Assim, sobre o "Mínimo" é bom ter uma outra visão da história. E essa história não é contada, mas calculada pelo Dieese.

O Dieese calcula para a transparência à  Sociedade, o chamado “Salário Mínimo Necessário”, que é o valor mínimo que o cidadão deveria perceber pelo seu trabalho labutativo para viver com dignidade segundo os preceitos da Constituição. Veja a seguir os valores da série histórica apurados pelo Dieese para o mínimo que todos nós desejamos que seja realidade algum dia.

Definições:

Salário mínimo nominal:

É o salário mínimo vigente, definido em lei.

Salário mínimo necessário:

É o valor do Salário mínimo de acordo com o preceito constitucional "salário mínimo fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, reajustado periodicamente, de modo a preservar o poder aquisitivo, vedada sua vinculação para qualquer fim" (Constituição da República Federativa do Brasil, capítulo II, Dos Direitos Sociais, artigo 7º, inciso IV).

Foi considerado em cada Mês o maior valor da ração essencial das localidades pesquisadas. A família considerada é de dois adultos e duas crianças, sendo que estas consomem o equivalente a um adulto. Ponderando-se o gasto familiar, chegamos ao salário mínimo necessário.




Período
Salário mínimo nominal
Salário mínimo necessário
2010
Dezembro
R$ 510,00
R$ 2.227,53
Novembro
R$ 510,00
R$ 2.222,99
Outubro
R$ 510,00
R$ 2.132,09
Setembro
R$ 510,00
R$ 2.047,58
Agosto
R$ 510,00
R$ 2.023,89
Julho
R$ 510,00
R$ 2.011,03
Junho
R$ 510,00
R$ 2.092,36
Maio
R$ 510,00
R$ 2.157,88
Abril
R$ 510,00
R$ 2.257,52
Março
R$ 510,00
R$ 2.159,65
Fevereiro
R$ 510,00
R$ 2.003,30
Janeiro
R$ 510,00
R$ 1.987,26
2009
Dezembro
R$ 465,00
R$ 1.995,91
Novembro
R$ 465,00
R$ 2.139,06
Outubro
R$ 465,00
R$ 2.085,89
Setembro
R$ 465,00
R$ 2.065,47
Agosto
R$ 465,00
R$ 2.005,07
Julho
R$ 465,00
R$ 1.994,82
Junho
R$ 465,00
R$ 2.046,99
Maio
R$ 465,00
R$ 2.045,06
Abril
R$ 465,00
R$ 1.972,64
Março
R$ 465,00
R$ 2.005,57
Fevereiro
R$ 465,00
R$ 2.075,55
Janeiro
R$ 415,00
R$ 2.077,15
2008
Dezembro
R$ 415,00
R$ 2.141,08
Novembro
R$ 415,00
R$ 2.007,84
Outubro
R$ 415,00
R$ 2.014,73
Setembro
R$ 415,00
R$ 1.971,55
Agosto
R$ 415,00
R$ 2.025,99
Julho
R$ 415,00
R$ 2.178,30
Junho
R$ 415,00
R$ 2.072,70
Maio
R$ 415,00
R$ 1.987,51
Abril
R$ 415,00
R$ 1.918,12
Março
R$ 415,00
R$ 1.881,32
Fevereiro
R$ 380,00
R$ 1.900,31
Janeiro
R$ 380,00
R$ 1.924,59
2007
Dezembro
R$ 380,00
R$ 1.803,11
Novembro
R$ 380,00
R$ 1.726,24
Outubro
R$ 380,00
R$ 1.797,56
Setembro
R$ 380,00
R$ 1.737,16
Agosto
R$ 380,00
R$ 1.733,88
Julho
R$ 380,00
R$ 1.688,35
Junho
R$ 380,00
R$ 1.628,96
Maio
R$ 380,00
R$ 1.620,64
Abril
R$ 380,00
R$ 1.672,56
Março
R$ 350,00
R$ 1.620,89
Fevereiro
R$ 350,00
R$ 1.562,25
Janeiro
R$ 350,00
R$ 1.565,61
2006
Dezembro
R$ 350,00
R$ 1.564,52
Novembro
R$ 350,00
R$ 1.613,08
Outubro
R$ 350,00
R$ 1.510,00
Setembro
R$ 350,00
R$ 1.492,69
Agosto
R$ 350,00
R$ 1.442,62
Julho
R$ 350,00
R$ 1.436,74
Junho
R$ 350,00
R$ 1.447,58
Maio
R$ 350,00
R$ 1.503,70
Abril
R$ 350,00
R$ 1.536,96
Março
R$ 300,00
R$ 1.489,33
Fevereiro
R$ 300,00
R$ 1.474,71
Janeiro
R$ 300,00
R$ 1.496,56
2005
Dezembro
R$ 300,00
R$ 1.607,11
Novembro
R$ 300,00
R$ 1.551,41
Outubro
R$ 300,00
R$ 1.468,24
Setembro
R$ 300,00
R$ 1.458,42
Agosto
R$ 300,00
R$ 1.471,18
Julho
R$ 300,00
R$ 1.497,23
Junho
R$ 300,00
R$ 1.538,56
Maio
R$ 300,00
R$ 1.588,80
Abril
R$ 260,00
R$ 1.538,64
Março
R$ 260,00
R$ 1.477,49
Fevereiro
R$ 260,00
R$ 1.474,96
Janeiro
R$ 260,00
R$ 1.452,28


(Reproduzido da web page do Dieese)

Reedição da CPMF: Ninguém de Bom Senso Quer Ouvir Falar no Assunto


A Contribuição Provisória sobre a Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF) foi um tributo com destinação para  a área de saúde, que vigorou de 1997 a 2007. Sua última alíquota foi de 0,38%.

A CPMF sempre foi considerada um instrumento de confisco do dinheiro da população e que, ao longo do período da sua existência, não percebeu melhorias na Saúde que justificasse a sua criação. Assim, na madrugada do dia 13 de dezembro de 2007, o Senado rejeitou a proposta de prorrogação da CPMF.

Desde o momento da vitória de Dilma Roussef, a mídia, vez por outra, noticia que a volta da CPMF, travestida ou não de outro nome e com alíquota diferente da original, estaria tendo sua re-edição “costurada” nos bastidores do poder, sendo os principais interlocutores a favor do retorno do tributo, especialmente, o Governo e a maioria dos governadores da base aliada.

Independente se a pretendida re-edição da CPMF, com o mesmo nome ou não, tenha propósitos e regras mais rígidas, que contemplem a aplicação dos recursos advindos da sua cobrança somente na área da Saúde, eu acho que será um “tiro no pé” se o governo ou as suas lideranças políticas no Congresso Nacional articularem e aprovarem a sua volta.

A Sociedade está mais do que cansada de impostos e mais impostos e esse, em particular, carrega um estigma muito forte. Uma rejeição maciça da população que não quer nem ouvir falar no assunto. Portanto, cremos que a saída para financiamento do déficit de investimentos e melhorias da Saúde Pública não passa pela re-edição desse imposto. Há o governo de encontrar, com as forças políticas a coligação que o apóia, outras formas de obter esses recursos, perdidos lá atrás no governo do ex-presidente Lula. O governo deve ser criativo e mostrar que é possível melhorar a Saúde Pública sem aumentar impostos para o financiamento da melhoria, mas sim, através da racionalização de gastos e melhoria da gestão na área de saúde. Esse parece o caminho mais adequado para se tratar o problema saúde pública.

Rapidinha: Nesta Quarta, Votação do Valor 2011 do Salário Mínimo no Senado. Vitória Certa do Governo!


Na tarde desta quarta-feira (23), inicia-se, de fato, o enfrentamento político entre o bloco da oposição e a coalizão que apóia o governo da presidente Dilma Rousseff no Senado. Está em jogo a votação do projeto de lei  PLC 1/2011, que fixa em R$ 545 o salário mínimo para o ano de 2011. A expectativa dos governistas é que a matéria seja aprovada com facilidade, assim como ocorreu na Câmara dos Deputados, na semana passada.

O líder do PT e do bloco de apoio ao governo (PT, PR, PDT, PSB, PCdoB e PRB), senador Humberto costa (PE), disse esperar que tanto o bloco quanto outros partidos que apóiam o governo votem unidos em favor da proposta. Ele contabiliza entre 54 e 60 votos favoráveis aos R$ 545.

A oposição parece reconhecer que a vitória do Governo é mesmo certa na questão da aprovação do Mínimo  em R$ 545,00 mínimo. Mas "aposta as fichas", nos próximos embates, tendo por premissa que as coisas podem tomar outro rumo, à medida em que comecem a haver dissidências dos senadores da coligação que apoia a presidente, quando os "créditos" de início de governo começarem a diminuir com o passar do tempo. É aguardar para ver a força de coesão a alinhamento da base aliada com as propostas e posições do Governo, principalmente em temas espinhosos que virão por aí, como as reformas fiscal e política.

Rapidinha: Nesta Quarta, Votação do Valor 2011 do Salário Mínimo no Senado. Vitória Certa do Governo!


Na tarde desta quarta-feira (23), inicia-se, de fato, o enfrentamento político entre o bloco da oposição e a coalizão que apóia o governo da presidente Dilma Rousseff no Senado. Está em jogo a votação do projeto de lei  PLC 1/2011, que fixa em R$ 545 o salário mínimo para o ano de 2011. A expectativa dos governistas é que a matéria seja aprovada com facilidade, assim como ocorreu na Câmara dos Deputados, na semana passada.

O líder do PT e do bloco de apoio ao governo (PT, PR, PDT, PSB, PCdoB e PRB), senador Humberto costa (PE), disse esperar que tanto o bloco quanto outros partidos que apóiam o governo votem unidos em favor da proposta. Ele contabiliza entre 54 e 60 votos favoráveis aos R$ 545.

A oposição parece reconhecer que a vitória do Governo é mesmo certa na questão da aprovação do Mínimo  em R$ 545,00 mínimo. Mas "aposta as fichas", nos próximos embates, tendo por premissa que as coisas podem tomar outro rumo, à medida em que comecem a haver dissidências dos senadores da coligação que apoia a presidente, quando os "créditos" de início de governo começarem a diminuir com o passar do tempo. É aguardar para ver a força de coesão a alinhamento da base aliada com as propostas e posições do Governo, principalmente em temas espinhosos que virão por aí, como as reformas fiscal e política.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Um Ponto de Vista: A Petrobrás e o Estado

A Petrobras - Petróleo Brasileiro S/A é uma empresa de capital aberto cujo acionista majoritário é a União. É portanto uma empresa estatal de economia mista.

Fundada em 03/10/1953, a empresa opera em 27 países prioritariamente nas áreas de exploração, produção, refino, comercialização e transporte de hidrocarbonetos. Seu lema atual é " Uma empresa integrada de energia que atua com responsabilidade social e ambiental”.

A PETROBRÁS é um dos orgulhos do povo brasileiro e nos últimos anos vem se superando ano após ano em capacidade de produção e produtividade, trazendo prosperidade para o País, sendo um “motor” do desenvolvimento industrial e mostrando, de forma inequívoca, o sucesso do modelo de atuação do ESTADO que dá certo, gera inovação, eficácia e desenvolvimento. A PETROBRÁS avança mundo afora e hoje é a 18a empresa mundial.

No O GLOBO da edição de domingo, 20 de fevereiro, o Jornal estampa em manchete de capa notícia sobre a Petrobrás estar burlando a lei e usando terceirizados como fiscais, citando que dos 371 mil servidores, 291 mil seriam não concursados. O texto de capa ainda cita que “na contramão de acordo fechado com o governo federal e o Ministério Público, a PETROBRÁS vem aumentando o número de terceirizados e usando essa mão de obra terceirizada em atividades estratégicas, contrariando a lei.”

Sob o olhar frio do marco legal, a empresa, de economia mista, tem realmente a necessidade de contratar para o seu quadro de pessoal os empregados via concurso público, conforme reza o art 37 da Emenda Constitucional No 19. Portanto, a matéria do O Globo evidencia, no legítimo direito de informar à Sociedade, o descumprimento, por parte da Empresa, do respeito ao marco legal no que tange às suas contratações de pessoal.

No entanto, em se tratando de uma empresa estatal, a PETROBRÁS, através dos seus gestores, tem a função maior de cumprir com eficácia a missão e os objetivos que a Sociedade confiou a ela. E a Sociedade exige eficácia da Empresa nesse papel.

Nos dias de hoje, no contexto competitivo econômico e diante do que a Sociedade espera, não basta ser uma empresa somente eficiente. Esse qualitativo é, em outras palavras, na velocidade que se exige e do desempenho esperado, sinônimo de ineficiência.

No caso da PETROBRÁS, estabelecesse um paradoxo. Exige-se dela eficácia, desempenho, produtividade que, quando combinados são sinônimo da existência de um ambiente corporativo de recursos abundantes (humanos e de capital) e excelência na gestão da empresa. Desses elementos, a PETROBRÁS tem mostrado excelente capacidade de acúmulo de capital, lucros crescentes e grande capacidade de investimento. Portanto, esbarra-se na abundância dos recursos humanos. Sem o homem a empresa não anda, não prospera.

A necessidade da contratação de pessoal próprio da PETROBRÁS via concursos públicos, embora tenha todos os méritos no que tange à transparência e igualdade de oportunidades de acesso para todos, de forma democrática e sem apadrinhamentos, nos parece esbarrar, na prática, na burocracia das autorizações para a abertura dos concursos, nas licitações e contratação das empresas encarregadas da aplicação dos certames, e no cumprimento de todos os trâmites legais que cercam o assunto e, principalmente, não garante que se vá contratar pessoas com os requisitos profissionais que se deseja, ao tempo que se deseja. Isso, a meu ver, é um forte entrave ao continuado ganho de produtividade que esperamos da Empresa.

À luz da transparência e de forma a se evitar vícios, o instrumento dos concursos públicos nos órgãos da administração pública direta e indireta, incluindo as estatais, foi muito bem vindo. Foi uma conquista da Sociedade. Mas esse instrumento precisa ser flexibilizado diante da necessidade do momento e do desenvolvimento econômico atual. Temos que repensar o assunto de forma que, cumprindo os marcos legais, haja alguma flexibilização na aplicação do Art 37 da Emenda constitucional No 19, ou que se a altere, de forma que a PETROBRÁS e outras empresas estatais tenham a agilidade e liberdade necessárias para contratar ao tempo que necessitar contratar, em quantidade de mão de obra e com especialização que desejar contratar, pagando salários da forma que melhor lhe convier em função da especialização requerida e muitos mais.

Me parece ainda um exagero e uma severa amarra, e que joga contra os objetivos de eficácia da Empresa em cumprir a sua missão, a obrigatoriedade legal, como noticiou o O GLOBO em sua reportagem de domingo, da necessidade de que só “empregados concursados da PETROBRÁS possam exercer atividades estratégicas ou atividades-fim”. Para mim isso não faz sentido. Um bom engenheiro especializado, vestindo ou não a camisa de ser ou não concursado, tem a mesma capacidade. Ser ou não terceirizado não muda em nada o seu desempenho técnico. A responsabilidade é do cargo e do desempenho adequado, da responsabilidade do profissional. Além do mais, todos sabemos que, em função dos anos de estagnação do desenvolvimento industrial pelo qual passamos, a formação de engenheiros foi deplecionada em número e em qualificação no País. Hoje faltam engenheiros, técnicos experientes, especialistas das mais diversas áreas no mercado, para atender à demanda do nosso desenvolvimento. Assim, não raro, empresas como a PETROBRÁS e uma série de outras, tem que trazer profissionais de “fora” do País para suprir as necessidades existentes. Portanto, não há qualquer sentido prático ou razão que justifique o fato de um terceirizado não poder exercer uma atividade-fim dentro do organograma da empresa. O entrave é puramente legal, mas existe.

A meu ver, o que há é a necessidade de se repensar a relação custo/benefício da aplicação dos concursos públicos para as empresas estatais nos moldes preconizados hoje pela Emenda Constitucional No 19. Esse importante instrumento, conquista da Sociedade, deve ser aperfeiçoado de forma a atender aos interesses do desenvolvimento e não vir a se tornar um empecilho ao desenvolvimento.

O Estado, diante dos imensos desafios da modernização e da necessidade da promoção da igualdade social, através do desenvolvimento econômico, e imerso no âmbito de uma economia mundial de grandes e vorazes competidores globais, como a China e outros, deve ter, além do papel de gestor, o papel de elemento facilitador, atento às necessidades de desregulação e desburacratização da atuação de suas empresas estatais, de forma a que elas possam responder à tempo à Sociedade, sem, no entanto, descuidar da função fiscalizadora.

Um Ponto de Vista: A Petrobrás e o Estado

A Petrobras - Petróleo Brasileiro S/A é uma empresa de capital aberto cujo acionista majoritário é a União. É portanto uma empresa estatal de economia mista.

Fundada em 03/10/1953, a empresa opera em 27 países prioritariamente nas áreas de exploração, produção, refino, comercialização e transporte de hidrocarbonetos. Seu lema atual é " Uma empresa integrada de energia que atua com responsabilidade social e ambiental”.

A PETROBRÁS é um dos orgulhos do povo brasileiro e nos últimos anos vem se superando ano após ano em capacidade de produção e produtividade, trazendo prosperidade para o País, sendo um “motor” do desenvolvimento industrial e mostrando, de forma inequívoca, o sucesso do modelo de atuação do ESTADO que dá certo, gera inovação, eficácia e desenvolvimento. A PETROBRÁS avança mundo afora e hoje é a 18a empresa mundial.

No O GLOBO da edição de domingo, 20 de fevereiro, o Jornal estampa em manchete de capa notícia sobre a Petrobrás estar burlando a lei e usando terceirizados como fiscais, citando que dos 371 mil servidores, 291 mil seriam não concursados. O texto de capa ainda cita que “na contramão de acordo fechado com o governo federal e o Ministério Público, a PETROBRÁS vem aumentando o número de terceirizados e usando essa mão de obra terceirizada em atividades estratégicas, contrariando a lei.”

Sob o olhar frio do marco legal, a empresa, de economia mista, tem realmente a necessidade de contratar para o seu quadro de pessoal os empregados via concurso público, conforme reza o art 37 da Emenda Constitucional No 19. Portanto, a matéria do O Globo evidencia, no legítimo direito de informar à Sociedade, o descumprimento, por parte da Empresa, do respeito ao marco legal no que tange às suas contratações de pessoal.

No entanto, em se tratando de uma empresa estatal, a PETROBRÁS, através dos seus gestores, tem a função maior de cumprir com eficácia a missão e os objetivos que a Sociedade confiou a ela. E a Sociedade exige eficácia da Empresa nesse papel.

Nos dias de hoje, no contexto competitivo econômico e diante do que a Sociedade espera, não basta ser uma empresa somente eficiente. Esse qualitativo é, em outras palavras, na velocidade que se exige e do desempenho esperado, sinônimo de ineficiência.

No caso da PETROBRÁS, estabelecesse um paradoxo. Exige-se dela eficácia, desempenho, produtividade que, quando combinados são sinônimo da existência de um ambiente corporativo de recursos abundantes (humanos e de capital) e excelência na gestão da empresa. Desses elementos, a PETROBRÁS tem mostrado excelente capacidade de acúmulo de capital, lucros crescentes e grande capacidade de investimento. Portanto, esbarra-se na abundância dos recursos humanos. Sem o homem a empresa não anda, não prospera.

A necessidade da contratação de pessoal próprio da PETROBRÁS via concursos públicos, embora tenha todos os méritos no que tange à transparência e igualdade de oportunidades de acesso para todos, de forma democrática e sem apadrinhamentos, nos parece esbarrar, na prática, na burocracia das autorizações para a abertura dos concursos, nas licitações e contratação das empresas encarregadas da aplicação dos certames, e no cumprimento de todos os trâmites legais que cercam o assunto e, principalmente, não garante que se vá contratar pessoas com os requisitos profissionais que se deseja, ao tempo que se deseja. Isso, a meu ver, é um forte entrave ao continuado ganho de produtividade que esperamos da Empresa.

À luz da transparência e de forma a se evitar vícios, o instrumento dos concursos públicos nos órgãos da administração pública direta e indireta, incluindo as estatais, foi muito bem vindo. Foi uma conquista da Sociedade. Mas esse instrumento precisa ser flexibilizado diante da necessidade do momento e do desenvolvimento econômico atual. Temos que repensar o assunto de forma que, cumprindo os marcos legais, haja alguma flexibilização na aplicação do Art 37 da Emenda constitucional No 19, ou que se a altere, de forma que a PETROBRÁS e outras empresas estatais tenham a agilidade e liberdade necessárias para contratar ao tempo que necessitar contratar, em quantidade de mão de obra e com especialização que desejar contratar, pagando salários da forma que melhor lhe convier em função da especialização requerida e muitos mais.

Me parece ainda um exagero e uma severa amarra, e que joga contra os objetivos de eficácia da Empresa em cumprir a sua missão, a obrigatoriedade legal, como noticiou o O GLOBO em sua reportagem de domingo, da necessidade de que só “empregados concursados da PETROBRÁS possam exercer atividades estratégicas ou atividades-fim”. Para mim isso não faz sentido. Um bom engenheiro especializado, vestindo ou não a camisa de ser ou não concursado, tem a mesma capacidade. Ser ou não terceirizado não muda em nada o seu desempenho técnico. A responsabilidade é do cargo e do desempenho adequado, da responsabilidade do profissional. Além do mais, todos sabemos que, em função dos anos de estagnação do desenvolvimento industrial pelo qual passamos, a formação de engenheiros foi deplecionada em número e em qualificação no País. Hoje faltam engenheiros, técnicos experientes, especialistas das mais diversas áreas no mercado, para atender à demanda do nosso desenvolvimento. Assim, não raro, empresas como a PETROBRÁS e uma série de outras, tem que trazer profissionais de “fora” do País para suprir as necessidades existentes. Portanto, não há qualquer sentido prático ou razão que justifique o fato de um terceirizado não poder exercer uma atividade-fim dentro do organograma da empresa. O entrave é puramente legal, mas existe.

A meu ver, o que há é a necessidade de se repensar a relação custo/benefício da aplicação dos concursos públicos para as empresas estatais nos moldes preconizados hoje pela Emenda Constitucional No 19. Esse importante instrumento, conquista da Sociedade, deve ser aperfeiçoado de forma a atender aos interesses do desenvolvimento e não vir a se tornar um empecilho ao desenvolvimento.

O Estado, diante dos imensos desafios da modernização e da necessidade da promoção da igualdade social, através do desenvolvimento econômico, e imerso no âmbito de uma economia mundial de grandes e vorazes competidores globais, como a China e outros, deve ter, além do papel de gestor, o papel de elemento facilitador, atento às necessidades de desregulação e desburacratização da atuação de suas empresas estatais, de forma a que elas possam responder à tempo à Sociedade, sem, no entanto, descuidar da função fiscalizadora.

Reforma Política: Anteprojeto da Lei em Elaboração pelo Senado


Toma posse neste terça feira (22/02) a comissão composta por 15 senadores para elaborar o anteprojeto da lei da  reforma política de que tanto o País necessita, e que se arrasta a anos sem qualquer ação prática.

Dos 15 integrantes da comissão instituída pelo presidente do Senado, José Sarney, dois foram presidentes da República: Fernando Collor (PTB-AL) e Itamar Franco (PPS-MG), oito ex-governadores e ex-ministros. A comissão  tem a representação de 12 senadores e 3 senadoras.


Comissão de 15 senadores e senadoras: reforma política

Membros da Comissão:

Fernando Collor (PTB-AL),
Itamar Franco (PPS-MG),
Roberto Requião (PMDB)
Aécio Neves (PSDB-MG),
Jorge Viana (PT-AC),
Antônio Carlos Valadares (PSB),
Luiz Henrique da Silveira (PMDB),
José Wellington Barroso de Araújo Dias (PT),
Eduardo Braga (PMDB),
Francisco Dornelles (PP-RJ)
Demóstenes Torres (DEM-GO),
Pedro Taques (PDT-MT),
Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM),
Lúcia Vânia (PSDB-GO) e,
Ana Rita Esgario (PT-ES)

Na agenda dessa polêmica e tão adiada reforma política, um dos temas de destaque será a proposição apresentada pelo senador Dornelles, que propõe através da chamada “Lei Tiririca” uma profunda mudança na forma de eleição dos deputados, passando o atual sistema proporcional, baseado em coeficiente eleitoral, para o voto majoritário simples, como é a forma da eleição dos senadores.

No sistema proporcional, em vigor, é possível um candidato do partido A ser eleito, mesmo que tenha tido somente 5.000 votos. Basta para tal que a sua legenda ou coligação tenha um bom “puxador de votos”, como foi Tiririca nas eleições de 2010, que sozinho obteve 1,35 milhão de votos. Nessa situação, pode ocorrer que um candidato do partido B, que tenha tido 100.000 votos não seja eleito, pois o que vale para o número de vagas destinadas as partido ou coligação é o coeficiente eleitoral. Uma verdadeira injustiça.

Nas eleições de 2010, o eleitor de “Tiririca”, que ao votar nele teve a intenção de somente elegê-lo, acabou, na verdade, elegendo outros candidatos que talvez não quisesse que fossem eleitos e o que é pior, não faz a menor idéia de quem foram esses candidatos eleitos com seu voto, de forma indireta. Um absurdo.

Em sendo aprovada e transformada em lei, a proposição do senador Dornelles tornará inútil a figura do candidato puxador de votos, geralmente um político importante ou uma celebridade, como “Titirica” nas eleições de 2010, e os ex-deputados Enéas Carneiro e Clodovil Hernandez, já falecidos, também campeões de votos.

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